Um dos meus preferidos
Este é um dos poemas de Fernando Pessoa que mais gosto.
Esta dicotomia entre a vida vivida e a vida pensada, ou seja, realidade versus expectativa.
Todos idealizamos uma vida, e essa idealização passa a ser o barómetro da nossa felicidade. Quando a vida real, vivida, converge com o que idealizamos então experimentamos a felicidade. Por outro lado, se a idealização é esmagada pela realidade, cria-se um sentimento de frustração, de underachievement na vida.
A vida joga-se neste limbo de realidade versus expectativa. Até compreenderes que a vida que tens que pensar é aquela que sobra deste limbo.
Gosto deste poema exactamente por , na minha interpretação, tocar na questão das expectativas. Que o conceito de felicidade depende disso mesmo, da expectativa que se cria. Que só existe desilusão porque se criou uma ilusão. Porque por vezes, presos ao que gostaríamos de ter e ser nos perdemos de quem somos realmente.
O grande desafio é viver a vida sempre na direção do sonho e não fazer do sonho exatamente aquilo que nos tolhe.
Gostaria de ler sobre a vossa interpretação deste poema ☺️


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ResponderEliminarExcelente ideia....a busca pelo conhecimento é a maior riqueza que podemos ter intelectualmente...um livro, faz-nos viajar, leva-nos para outros mundos, transporta-nos para outras realidades...vou estar atento 😉☺️
ResponderEliminarSempre em primeira mão ❤️
EliminarÉ interessante a tua interpretação, mas quando leio estes versos também me suscita outra questão, a dicotomia entre a razão vs emoção. Quando sentimos não pensamos e quando pensamos o sentimento desfaz-se naquilo que é a procura da razão. O ser humano tem esta tendência, de se deixar amedrontar pela beleza dos sentimentos, porque o que traz muito prazer, dá medo, assusta. Então, diria que procuramos uma certeza, a razão, com a convicção de que a vida pensada é mais segura do que a vida sentida. Mas nesta armadilha involuntaria, deixamos para trás a única vida que temos. Se a verdadeira vida não é vivida, vivemos uma vida pensada, não autêntica, despojada de sentimento. E quando caímos na frieza da razão conscientes de que a vida que a gente tem é a que tem de pensar, procuramos sentir. Desenfreadamente sentir. Porque sentir é viver. Pensar é morrer.
ResponderEliminarObrigada pelo teu comentário Vivi ❤️ achas que a questão então se prende com o facto de racionalizarmos o que sentimos? 😘
EliminarNão sei bem...talvez... O pensar faz parte, é inevitável. E é preciso. Mas as vezes corrompe o que há de mais genuíno ❤️ diria que o simples facto de termos esta consciência já é um grande avanço 😌
EliminarEu sempre percebi uma diferença entre o "ser" que está a pensar e o "ser" que observa o "ser" que está a pensar.
ResponderEliminarEu sempre percebi também que por defeito sou o "ser" que está a pensar, mas... sempre que me aquieto... torno-me o "ser" que observa o "ser" que está a pensar.
O que eu penso entender e posso partilhar é que...
...somos muitas entidades numa só e uma só em inúmeros momentos...
...Einstein dizia: "-aquilo a que chamamos realidade é só uma ilusão muito persistente."
Eu digo que aquilo a que chamamos de realidade é só mais um estado de demência... aquele que é mais aceite...
Dementes ou não, o que todos queremos é ser felizes. Todos sabem como em teoria, mas... na pratica, todos padecemos do insucesso em efectivo nessa vontade.
Para mim, o que defino como realidade, é o espaço e momento onde temos a nossa atenção, a nossa percepção. Mudamos isso e... a realidade muda-se de acordo com a nova perspectiva.
Por isso somos o ser pensante quando estamos em piloto automático e numa vida de 100 anos estamos assim por cerca de 95 anos.
Depois há aqueles momentos em que o "ser" que observa o "ser" que está a pensar assume o controle e... nesses 5 anos acontecem coisas que fazem os 100 valer a pena.
Tudo de bom e bons livros... com café. 😉
Obrigada pelo teu comentário Branquinho❤️ gosto muito da tua análise, muito profunda. E encontro-me em muitas das tuas palavras. Falas de algo que me interpela. Essa questão do piloto automático, tantas vezes que a penso. Tenho como que um alarme interno que se acciona quando me sinto cair nessa ratoeira. Sacudo, questiono, paro, o olhar apura de novo e voltam as mil e umas questões existenciais que me deliciam. Sabes que já há um rótulo para quem teima em sair do piloto automático, os overthinkers.😁 Acho que vais gostar do próximo poema que vou postar 😉😘
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